terça-feira, 23 de março de 2010

Martin Harris, uma das testemunhas do Livro de Mórmon

O Livro de Mórmon foi impresso por Egbert B.Grandin, responsável também pela impressão do Wayne Sentinel. Martin adiantou 3 mil dólares pela impressão de 5 mil cópias do livro, concordando com a possibilidade de hipotecar sua fazenda se necessário para poder completar o total. A esta altura ele tinha deixado sua esposa, que inicialmente não concordava com a idéia de patrocinar o trabalho sugerido por Joseph Smith. Mas Martin deixou para Lucy 80 acres de terras e uma casa. O que não estavam nos planos era que os cidadãos de Palmyra ao saberem do advento da impressão do Livro de Mórmon, organizaram um boicote e forçou a Egbert a parar os trabalhos e a dar continuidade somente após receber o valor em sua totalidade pela impressão. Como Harris ainda não havia hipotecado sua fazenda e não houvesse dinheiro disponível, Hyrum Smith, que provavelmente não gostava de Harris, pois suspeitava que ele queria todos os lucros da venda do livro(opinião de David Whitmer, ver Address to all believers in Christ, p.31) sugeriu que tentassem vender os direitos autorais, Copyright  para assegurarem a publicação. Joseph Smith olhou pelo Urim e Tumim e recebeu uma revelação mandando Oliver Cowdery e Hiram Page irem a Toronto, aonde iriam encontrar um homem ansioso para comprá-lo.


"Nós não o encontramos", Cowdery escreveu depois, "e tivemos que retornar surpresos e desapontados...me lembro bem quão duro me esforcei para afastar os maus presságios que se apoderaram de mim, que o primeiro Elder nos fez de instrumentos, onde ele pensou que na simplicidade de nossos corações nós seriámos mandados lá divinamente" (Defence in a rehearsal of my grounds for separating myself from the latter-day saints, Oliver Cowdery, Ohio, 1839.)


Esta foi a primeira vez que uma revelação tinha fracassado. Joseph Smith explicou: "Algumas revelações são de Deus: outras revelações são de homens: e algumas revelações são do demônio... Quando um homem pede ao Senhor sobre uma questão, se ele é enganado pelos próprios desejos carnais e está em erro, ele receberá a resposta de acordo com seu coração equivocado, mas não será uma revelação do Senhor"

Como relatado por David Whitmer, "eu poderia citar outras falsas revelações que vieram pela boca de Joseph. Muitas das revelações de Joseph nunca foram publicadas. A revelação para ira ao Canadá foi escrita em papel, mas nunca foi publicada." (Address to all believers in Christ, By A Witness to the Divine Authenticity of the Book of Mormon, David Whitmer, Richmond, Missouri, 1887, p.31)

Joseph então tinha uma única chance. Martin Harris estava sendo um zeloso mas embaraçoso prosélito que propagava suas próprias experiências visionárias tão abertamente como Joseph o fazia. Ele dizia ter visto Jesus na forma de um veado, ele disse que andou com ele por 3 ou 5 km, falando com ele tão facilmente quanto um homem fala com outro. O demônio ele disse, se parecia com um jumento com um pêlo curto e macio parecido com um de um rato. Ele profetizou que a cidade de Palmyra seria destruída em 1836 e que em 1838 a igreja de Joseph seria tão grande que não haveria necessidade de um presidente dos Estados Unidos. Publicamente Harris era tolerado como alguém divertido e apenas eventualmente visto com desprezo, em particular a cidade de Palmyra fofocava sobre sua conduta escandalosa com a esposa de seu vizinho, Haggard (J.A.Clark: Gleanings by the way, Philadelphia, 1842, pp.258, 348 e a declaração de Lucy Harris em E.D.Howe, Mormonism Unvailed, Painesville Ohio: Telegraph Press, 1834, pp.14,256)

Como resultado destas ações de Harris, Joseph smith lançou a palavra do Senhor tal qual se encontra em D&C 19:15-35

"Portanto ordeno que te arrependas—arrepende-te, para que eu não te fira com a vara de minha boca e com minha ira e com minha cólera e teus sofrimentos sejam dolorosos—quão dolorosos tu não sabes, quão intensos tu não sabes, sim, quão difíceis de suportar tu não sabes...
E ordeno-te que nada pregues a não ser arrependimento; e não mostres estas coisas ao mundo até que me pareça prudente...
E também te ordeno que não cobices a mulher de teu próximo; nem procures tirar a vida de teu próximo.   E também te ordeno que não te apegues a tua propriedade, mas oferece-a liberalmente para a impressão do Livro de Mórmon...
E sofrimento terás se desprezares estes conselhos, sim, em verdade a destruição de ti mesmo e de tua propriedade...
Paga a dívida contraída com o impressor. Livra-te da servidão"

Então assustado com os desígnios do Senhor, Harris vendeu sua fazenda, Grandin foi pago à vista e em 26 de março de 1830 o Livro de Mórmon foi colocado a venda na livraria de Palmyra.

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1 comments:

Pedro e Talita disse...

Na Aliahona de Junho de 2009

David Whitmer, depois de sair da Igreja, relembrou que a revelação
prometia sucesso na venda dos direitos autorais, mas,
quando os que ficaram encarregados dessa tarefa retornaram,
Joseph Smith e outras pessoas ficaram desapontados
com o aparente fracasso. Os historiadores dependeram por
décadas das declarações de David Whitmer, Hiram Page e
William McLellin, mas não contavam com o texto original
da revelação. O Livro de Revelações 1 contém esse texto.
Embora ainda não conheçamos toda a história, particularmente
o ponto de vista do próprio Joseph Smith
sobre a situação, sabemos que não há motivos para chamar
aquela comunicação divina de “revelação não cumprida”.
As instruções do Senhor claramente condicionam o sucesso na venda dos direitos autorais à dignidade
daqueles que procurarem realizar a venda, bem como à
receptividade espiritual dos possíveis compradores.
(Livro de Revelações 1, pp. 30–31).

A crítica que Joseph alegou mais tarde que a revelação não tinha vindo de Deus está em toda a probabilidade, o produto de uma falsa memória de David Whitmer.

Pedro Soares

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