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segunda-feira, 30 de agosto de 2010

A Primeira Visão de Joseph Smith, versão de 1832

Anteriormente eu já havia publicado aqui no blog um artigo sobre as várias versões sobre a Primeira Visão de Joseph Smith, desta vez em minhas pesquisas, ao me deparar com o relato em sua íntegra resolvo disponibilizá-lo aqui em caráter exclusivo para os leitores do Diário História SUD (DHS) pela primeira vez em português para que possa servir para futuras consultas.

Primeiramente gostaria de informar que este material traduzido trata-se do único relato de Joseph Smith sobre sua Primeira Visão em que o próprio escreveu, que é datado de 1832(veja figura) sendo que nas outras versões encontramos escritos de outros líderes e membros da Igreja. Para iniciarmos sua leitura gostaria de ressaltar alguns elementos-chave deste relato:
  • Joseph Smith inicia um estudo profundo das Escrituras com a idade de 12 anos.
  • Sentia-se responsável pelos seus pecados
  • Determinava que todas as Igrejas estavam erradas 
  • Nenhuma menção aos reavivamentos religiosos da época
  • Omite qualquer descrição de busca por tesouros escondidos 
  • Idade de 15 anos (No seu 16º. De aniversário) 
  • Lugar da visão não é definido
  • Visão do Salvador - Jesus Cristo
  • Disse que seus pecados foram perdoados. Tinha caído em trangressão.  
  • Nesta época, Joseph Smith havia ditado a seção 84 de Doutrina e Convênios, afirmando que nenhum homem poderia ver a face de Deus sem o Sacerdócio e viver (D&C 84:22) 

Registro da Primeira Visão de Joseph Smith datado de 1832, escrito por ele mesmo:

... Assim, por volta da idade de doze anos minha mente se ocupava sobre todas as importantes questões do bem-estar de minha alma imortal, que me levou a buscar nas escrituras, crendo no que havia sido me ensinado de que continham a palavra do Senhor. Assim, me aplicando desta forma  nelas e no meu íntimo conhecimento daqueles de diferentes denominações, me levaram a questionar àqueles congregantes o porque não adornavam suas profissões através dos sagrados caminhos e conversas divinas que eu encontrara contidas naquele sagrado depositório. Isto era um sofrimento para minha alma. Assim, por volta da idade de doze a quinze anos, eu ponderava sobre muitas coisas em meu coração sobre a situação do mundo e da humanidade, suas contendas e suas divisões, suas abominações e da escuridão que impregnava as mentes da humanidade. Minha mente ficou extremamente angustiada porque reconheci meus pecados e pesquisando as escrituras, descobri que a humanidade não se tinha chegado ao Senhor, mas que tinham se apostatado da fé verdadeira e viva e não havia sociedade ou denominação que tivesse construído sobre o evangelho de Jesus Cristo tal qual registrado no Novo Testamento e comecei a lamentar pelos meus próprios pecados e pelos pecados do mundo...
E eis que, clamei ao Senhor por misericórdia porque não havia mais ninguém a quem eu pudesse alcançar e obter a misericórdia, e o Senhor ouviu o meu clamor no deserto e enquanto estava em atitude de clamar à Deus no ano 16º. da minha idade, um pilar de luz mais brilhante que o  sol ao meio-dia veio de cima e pousou sobre mim, e eu estava cheio do espírito de Deus e Senhor abriu os céus acima de mim e eu vi o Senhor, e ele falou-me dizendo:  Joseph meu filho os teus pecados te são perdoados. Vais agora em teu caminho e ande nos meus estatutos e guardes os meus mandamentos;  pois eu sou o Senhor da glória que foi crucificado por todo o mundo para todos àqueles que acreditam em meu nome possam ter vida Eterna; pois eis que o mundo jaz no pecado, e neste momento não fazem bem nenhum;  eles se desviaram do evangelho e não guardam os meus mandamentos;  eles se aproximam de mim com seus lábios enquanto seus corações estão longe de mim e minha ira se inflamará contra os habitantes da terra para visitá-los de acordo com o que já vos tenho falado pela boca dos profetas e apóstolos e eis que venho sem demora, uma vez que está escrito de mim, na nuvem revestida na glória de meu Pai.  E minha alma se encheu de amor e por muitos dias pude me regozijar com uma grande alegria pois o Senhor estava comigo, mas não pude encontrar nenhum que acreditasse nesta visão celestial. No entanto, eu ponderava sobre essas coisas em meu coração...


Fontes: Dean C. Jesse, ed., The Papers of Joseph Smith: Autobiographical and Historical Writings, 2+ vols. (Salt Lake City: Deseret Book Co., 1989-), 1:5-7. Os manuscritos originais de Joseph Smith encontram-se nos Arquivos da Igreja (LDS Church Archives)

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domingo, 21 de março de 2010

As várias versões da primeira visão de Joseph

Lembro-me de quando me filiei a Igreja, cheguei a participar durante alguns meses do Seminário de religião, que na ocasião estávamos estudando o livro de Doutrina & Convênios, tive uma excelente experiência do curso o qual atendi juntamente com minhas irmãs que foi proporcionada pela impecável professora Elda Alvarenga, fiz boas amizades e participei da famosa e sempre muito aguardada competição de busca de escrituras, na qual o nosso líder do SEI, na ocasião nosso Pres.de Estaca Pedro Penha ditava a palavra-chave da escritura e os jovens divididos entre as alas e ramos corriam seus livros de escrituras para procurar o versículo pedido, e sempre haviam prêmios ao final, tanto para a unidade que venciam tanto para os jovens que mais rapidamente abriam as passagens escriturísticas.

Me recordo também dos famosos cartões de busca de domício de escrituras, que vinham com a escritura de um lado e algumas informações que nos lembravam de levar em consideração a respeito da passagem. As informações eram as seguintes:

Contexto Histórico, Ensinamento Doutrinário, Aplicação Missionária e Aplicação Pessoal.

Para apresentar o artigo de hoje, vou me utilizar deste exemplo que trouxe de minhas boas memórias dos tempos de seminário ao descrever o panorama histórico o qual Joseph Smith se incluia para explorar um pouco das várias versões de sua 1ª visão.

Visões de Deus e ou anjos eram comuns e faziam parte do folclore local da época, Elias Smith um pregador protestante de Vermont teve uma experiência similar a de Joseph Smith em um bosque próximo a Woodstock, onde ele viu "O Cordeiro em cima do Monte Sião" e o clarão de sua glória na floresta.
Um outro cidadão, John Samuel Thompson que ensinou na Academia de Palmyra em 1825, viu Cristo descendo dos céus "num resplendor de luz mais brilhante que o sol ao meio-dia" e ouviu-O dizendo "Eu te ordeno que vá e diga a todos os homens que eu venho; e peço que cada um grite vitória!" mas Thompson nunca descreveu sua experiência como algo além de um sonho.
Asa Wild de Amsterdam, Nova Iorque falou com a "espantosa e gloriosa majestade do grande Jeová" e aprendeu que "toda e qualquer denominação que se professam cristãs se tornaram extremamente corruptas" e que dois terços da humanidade seriam destruídas e que os restantes seriam acomodados no Milênio. "Muito mais o Senhor revelará" Wild disse que "mas me proíbe de falar mais, Logo mais eu publicarei em um panfleto minha experiência religiosa e viajarei em minha vida divina"

Bem, este é o panorama histórico em que Joseph Smith estava vivendo, agora vejamos as versões de sua primeira visão, quando foram escritas e qual a versão final atualmente utilizada e quando foi escrita:

O primeiro rascunho de sua autobiografia não menciona sobre sua primeira visão quando foi publicado em 1834, se o ocorrido fosse de tal magnetude era de se esperar que fosse muito marcante para um jovem que passou por tal manifestação celestial. Mas existem duas versões em manuscritos sobre sua visão entre 1831 e o relato de Orson Pratt "Remarkable Visions"de 1840 que indica que sua visão entrou em uma rica evolução de detalhes. Na primeira em que Joseph ditou em 1831 ou 1832, ele disse que "no meu 16º. ano de idade... o Senhor abriu os céus sobre mim e eu vi o Senhor."
Em 1835, este relato mudou para uma visão de dois "personagens" em "uma coluna de fogo" acima de sua cabeça e "muitos anjos." Na versão publicada os personagens se tornaram Deus, o pai e Seu filho Jesus Cristo e os anjos haviam desaparecido. A idade de Joseph foi mudada para quatorze anos.
Outro ponto interessante é o de que embora a data final do início das manifestações celestiais a Joseph houvessem começado em 1820, existem evidências de que sua mãe e irmãos, Hyrum e Samuel, não pararam de ir a Igreja Presbiteriana até pelo menos 1828.(Registros  microfilmados da Igreja Presbiteriana de Palmyra datados de março de 1830: Lucy, Hyrum e Samuel foram suspensos da igreja por não participarem das atividades e sacramento da igreja nos últimos 18 meses.) Existem outras fontes, como uma carta da mãe de Joseph Smith em que escreve a seu irmão em 1831 em que relata detalhes completos sobre Livro de Mórmon e o estabelecimento da Igreja mas não menciona nada sobre a "primeira visão"  e na primeira publicação de Joseph Smith sobre os inícios da Igreja em 1834 feito com o auxílio de Oliver Cowdery também não há o relato da manifestação de Deus e Jesus Cristo mas diz que começou através de sua busca por respostas a Deus durante a idade de 17 anos( não 14 anos). Cowdery descreveu o início das visões com a visita do anjo Moroni, o qual direcionou Joseph para obter as placas do Livro de Mórmon.
Agora eis o relato final da visão de Joseph Smith, tal qual escrito em 1838, 18 anos após a primeira visão:

"Era a primeira vez na vida que fazia tal tentativa, pois em meio a todas as ansiedades que tivera, jamais havia experimentado orar em voz alta... ajoelhei-me e comecei a oferecer a Deus os desejos de meu coração. Apenas iniciara, imediatamente se apoderou de mim uma força que me dominou por completo; e tão assombrosa foi sua influência que se me travou a língua, de modo que eu não podia falar. Uma densa escuridão formou-se ao meu redor e pareceu-me, por um momento, que eu estava condenado a uma destruição súbita. Mas usando todas as forças para clamar a Deus que me livrasse do poder desse inimigo que me subjugara, no momento exato em que estava prestes a sucumbir ao desespero e abandonar-me à destruição—não a uma ruína imaginária, mas ao poder de algum ser real do mundo invisível, que possuía uma força tão assombrosa como eu jamais sentira em qualquer ser—exatamente nesse momento de grande alarme, vi um pilar de luz acima de minha cabeça, mais brilhante que o sol, que descia gradualmente sobre mim. Assim que apareceu, senti-me livre do inimigo que me sujeitava. Quando a luz pousou sobre mim, vi dois Personagens cujo esplendor e glória desafiam qualquer descrição, pairando no ar, acima de mim. Um deles falou-me, chamando-me pelo nome, e disse, apontando para o outro: Este é Meu Filho Amado. Ouve-O!

  Meu objetivo ao dirigir-me ao Senhor era saber qual de todas as seitas estava certa, a fim de saber a qual me unir. Portanto, tão logo me controlei o suficiente para poder falar, perguntei aos Personagens que estavam na luz acima de mim qual de todas as seitas estava certa (pois até aquele momento jamais me ocorrera que todas estivessem erradas) e a qual me unir. Foi-me respondido que não me unisse a qualquer delas, pois estavam todas erradas; e o Personagem que se dirigia a mim disse que todos os seus credos eram uma abominação a sua vista; que aqueles religiosos eram todos corruptos; que “eles se aproximam de mim com os lábios, mas seu coração está longe de mim; ensinam como doutrina os mandamentos de homens, tendo aparência de religiosidade, mas negam o seu poder”.
  Novamente me proibiu de unir-me a qualquer delas; e muitas outras coisas disse-me, as quais não posso, no momento, escrever. Quando tornei a voltar a mim, estava deitado de costas, olhando para o céu." Joseph Smith História 1

O que quer que tenha acontecido naquela manhã de primavera de 1820, passou totalmente desapercebido na cidade de Joseph Smith e aparentemente não se fixou suficientemente nas mentes dos membros da própria família.

Fontes: A visão de Elias Smith é descrita em "The life, conversion, preaching... of Elias Smith, escrito por ele próprio-Portsmouth, New Hampshire, 1816, p.58 (ele veio de Lyme, Connecticut, lugar de nascimento de Solomon Mack e migrou para Vermont na mesma época que Mack.
O sonho de Thompson é descrito em seu livro Christian Guide (Utica, New York, 1826, p.71)
O relato de Wild pode ser encontrado em Wayne Sentinel, october 22, 1823.

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