Mostrando postagens com marcador o livro de abraão. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador o livro de abraão. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Porque as pessoas se afastam? (parte 3)


Agora, gostaria de dar uma introdução às maiores questões que uma pessoa pode chegar em relação à Igreja, mas antes gostaria de dar três importantes avisos:


 
  • Tudo o que eu apresento aqui pode ser facilmente comprovado através de publicações feitas pela Igreja. Não trago nada através de pessoas que se opõe ao profeta, nada disto é material anti-mórmon
  • Em nenhum momento culpo os irmãos ou as Autoridades Gerais. Creio que a maioria das questões aqui são de caráter dos membros não da liderança.
  • Nada que eu mostro nesta apresentação prova que a Igreja não seja verdadeira.
O que eu aprendi crescendo na Igreja à respeito de Joseph Smith?

  • Era um garoto puro e inocente
  • Recusou álcool durante uma cirurgia em sua perna
  • Viu Deus e Jesus Cristo no bosque sagrado
  • Traduziu o Livro de Mórmon usando o Urim e Tumim
  • Teve uma esposa – Emma Smith, nunca ouvi sobre nenhuma outra
  • Foi falsamente acusado e perseguido várias vezes
  • Foi levado a prisão de Carthage como “um cordeiro para o abatedouro”
  • Nenhum outro homem fez mais pela salvação dos homens depois de Jesus que Joseph Smith
Uma vez que você se propõe a estudar a história da Igreja e seus documentos você descobre que,

A História e os fatos nos dizem a respeito de Joseph Smith(Depois das coisas boas que sabemos sobre Joseph Smith, também sabemos que:)

  • Joseph Smith usou uma pedra mágica, também chamada de pedra vidente para ajudar pessoas a encontrar tesouros escondidos na terra (muitas fontes). Ele próprio admitiu isso, não é especulação, é um fato. Qualquer historiador da Igreja ou Autoridade irá confirmar que isso é verdade. Este foi o motivo dos primeiros processos em corte judicial envolvendo o profeta.  Pessoas processaram Joseph Smith e é algo que ninguém fala à respeito.
  • A própria Primeira Visão, tem várias versões distintas, aonde numa ele menciona que viu apenas Cristo, não menciona Deus e que a cada vez que ele reconta a história e decide escrevê-la em cada versão a experiência vai se tornando cada vez mais elaborada, cheia de detalhes e muda muito em relação a primeira versão. Creio que estas diferenças entre as versões são muito significantes por se tratarem de um evento tão importante porque não foi apenas uma única versão. A versão que temos hoje em dia publicada em Doutrina & Convênios é a última datada de 1838, 18 anos após o evento.
  • A mesma pedra vidente que Joseph Smith utilizava para encontrar os tesouros escondidos ele usou para traduzir o Livro de Mórmon - pedra dentro do chapéu com seu rosto dentro para ver os caracteres e as placas não ficavam à vista. (ver Russel M.Nelson) e para alguns esta informação pode ser chocante, pois porque ele precisaria das placas então se era só ver os caracteres aparecendo da pedra vidente? Porque ele colocaria o rosto dentro do chapéu? Niguém nunca me disse isso, mas essa foi a maneira que aconteceu.
  • Joseph Smith bebeu cerveja e vinho quando adulto (tirado do seu próprio diário) a palavra de sabedoria não era tida como lei ou mandamento. Ele mesmo bebeu vinho na noite anterior ao seu martírio quando preso em Carthage.
  •  Joseph Smith teve 30 esposas, se você faz uma pesquisa no FamilySearch.org da Igreja ele confirma este fato e algumas destas esposas já eram casadas com outros homens na ocasião que ele foi selado à elas, e estes homens eram vivos. Imaginem se eu procurasse a esposa de alguém e lhe dissesse case-se comigo e não diga ao seu esposo, como seria esta situação? Este é o tipo de coisa que os documentos da época nos dizem, são fatos. Algumas destas mulheres eram adolescentes na época em que se casaram e você pode se perguntar porque Joseph Smith estivesse se casando com moças tão jovens assim por exemplo.
  • Joseph Smith sempre negou a poligamia publicamente (ver Elder Oaks), isto pode ser perturbador para muitas pessoas.
  • O segundo conselheiro da presidência da Igreja largou seu cargo e abriu um jornal, o Nauvoo Expositor aonde expunha a poligamia de Joseph e o levou a mandar destruir sua impressa e culminou na prisão de Joseph Smith e por conseguinte seu martírio (ver Elder Oaks)
Bem, estes são fatos, são bem diferentes da estória que ouvimos quando crescemos na Igreja, nenhuma delas prova que Joseph Smith não tenha sido inspirado por Deus, mas com certeza podem ser chocantes e você pode apostar que seu parente ou amigo mórmon que tenha deixado a Igreja pode ter chegado a estas questões.

Então, que tal o livro de escrituras o Livro de Mórmon? O que aprendemos ao crescer na Igreja?
  •  “Livro mais correto da Terra”
  • Encontrado no Monte Cumôra em Nova Iorque, onde foi enterrado por Morôni
  • História dos Nativos Americanos do norte, centro e sul das Américas e também das ilhas do Pacífico.
Aprendemos também que o Livro de Abraão:
  • Traduzido de papiros egípcios que Joseph Smith obteve.
O que a História/ Fatos parecem nos dizer,  depois de tudo o que é bom que aprendemos no Livro de Mórmon:
  • Já houveram mais de 4 mil mudanças, muitas pequenas, poucas grandes.
  • Geografia. Pessoas tentam explicar aonde se situam as cidades mencionadas no livro, aonde fica esta estreita faixa de terra, águas de mórmon. Ninguém foi realmente capaz de encontrar uma geografia que realmente pudesse mapear o livro.
  • Cumôra, qual Cumôra? Sabemos que Joseph Smith obteve as placas no monte Cumôra em Nova Iorque, mas parece que não bate com a geografia descrita nos arredores do livro com templos, as águas de mórmon e a estreita faixa de terra. E se Moroni estava na América Central, na estreita faixa de terra não parece plausível que ele tenha carregado todas as placas que produziram o Livro de Mórmon consigo até a América do Norte. Alguns tem tentado se utilizar da hipótese de terem havido dois montes Cumôra. Mas o problema é que ao se utlizar de mais e mais teorias começa a parecer que há algum esquema aí.
  • Anacronismos no Livro de Mórmon. Aço nunca foi utilizado pelos povos nativo-americanos. Aonde estão os ossos de milhares de soldados, guerreiros que morreram em batalhas gigantescas? Porque não encontramos várias pilhas de ossos com seus escudos, espadas, capacetes, armaduras e armas? Se encontramos na Europa e na Ásia peças e ossos remanecentes de guerras passadas porque não nas Américas?
  • Cavalos? Não haviam aqui até os Espanhóis os trazerem como são mencionados no Livro de Mórmon. Elefantes? Nunca foram encontradas evidências por aqui.  Cevada, trigo, caledário de sete dias? Do ponto de vista cronológico estes itens não poderiam estar presentes nas Americas, pois foram trazidos pelos Europeus muito posteriormente aos eventos mencionados no Livro de Mórmon.
  • Controvérsia do DNA. Os nativos americanos que foram testados mais de 95% trazem DNA de asiáticos, comprovando que cruzaram o estreito de Bhering e não através de um barco vindos de Israel. Não seriam portando Israelitas. Quem são os Lamanitas? Estas questões são muito importantes e justas. Não é questão de procurar faltas na Igreja, mas se tratam de assuntos vitais, pois se trata da autenticidade da história das américas alegada pelo Livro de Mórmon.
  • Visão dos Hebreus, livro escrito por um pregador na cidade natal de Oliver Cowdery. Não é fácil deixar de considerar a similaridade básica entre este texto e o do Livro de Mórmon, uma vez que na Visão dos Hebreus é mencionada a saga de uma família de israelitas que deixam sua terra e atravessam o oceano em um barco, iniciam civilizações na América, existiam tribos boas e tribos más que lutavam entre si e que os índios americanos seriam os descendentes destes israelitas e foi escrito 5-10 anos antes do Livro de Mórmon . Logo questòes como estas fazem pessoas crentes se perguntarem.
  • E é claro o Livro de Abraão, estudiosos hoje em dia, concordam, incluindo Hugh Nibley que não é uma tradução dos papiros originais. Os papiros originais de Joseph Smith são apenas textos funerários, não há alguma correlação entre os papiros de Joseph e sua tradução descrita no Livro de Abraão em Pérola de Grande Valor.
Estas questões são muito chocantes para alguém se deparar pela primeira vez depois de ter sido criado na Igreja.

(continua)

sábado, 3 de julho de 2010

O Livro de José

Quando Joseph obteve os dois rolos de papiros egípcios de Michael Chandler em Julho de 1835, ele disse que “um dos rolos continha os escritos de Abraão e um outro os escritos de José do Egito.” Joseph Smith, História da Igreja, 2:236, veja também artigos passados sobre O Livro de Abraão


Willian W.Phelps, seu escrivão, registrou em 1835:
“Como ninguém podia traduzir estes escritos, eles foram mostrados ao Presidente Smith. Logo ele soube o que eram e disse que os ‘rolos de papiros’,  continham o sagrado registro guardado por José na corte do faraó do Egito e os ensinamentos do patriarca Abraão.” Leah Y.Phelps, “Letters of faith from Kirtland”, Improvement Era 45 (Agosto de 1942): 529 veja também em Bruce A.Van Orden, ed., “Writing to Zion: The Willian W.Phelps Kirtland letters (1835-1836)”, BYU Studies 33 (1993):554

O apóstolo SUD Orson Pratt e o historiador da Igreja John Whitmer descreveram como Joseph concluiu que os dois rolos de papiros eram os escritos de José e Abraão da antiguidade. Pratt conta que:

“O senhor Chandler apresentou-lhe os caracteres antigos, perguntando-o se ele[Joseph Smith] poderia traduzí-los. O profeta os tomou em suas mãos, retirou-se ao seu quarto e perguntou ao Senhor sobre eles. O Senhor disse-lhe que eram registros sagrados, contendo os escritos inspirados de Abraão quando estava no Egito, e também os de José, quando esteve no Egito... O Profeta Joseph Smith tendo aprendido o valor dos escritos antigos ficou ansioso em obtê-los e se expressou desejoso de comprá-los” Orson Pratt, 25 de agosto de 1878, no Journal of Discourses, 26 volumes (London e Liverpool: LDS Booksellers Depot, 1854-86), 20:65.

Whitmer escreveu que: “Joseph o vidente, viu os Registros e que por revelação de Jesus Cristo poderia traduzir estes relatos, que davam conta dos nossos antigos patriarcas, muitos dos quais foram escritos por José do Egito” Bruce N.Westergren, ed., From Historian to Dissident: The Book of John Whitmer (Salt Lake City: Signature Books, 1995), 167.

Albert Brown, um membro da Igreja de Kirtland, escreveu a seu pai em 01 de Novembro de 1835 de que alguns dos papiros continham:

“A história de José enquanto esteve no Egito... Estes registros foram comprados pela Igreja e também as múmias e estavam agora em Kirtland. Eles compraram as múmias por causa dos registros e pagaram 2400 dólares por eles. Muitos dos estudiosos... foram capazes de dizer muito pouco sobre os mesmos e ainda assim Joseph sem nenhum conhecimento deste mundo pode lê-los e saber do que se tratavam.” Albert Brown, 01 de novembro de 1835, em Christopher C.Lund, “A letter regarding the acquisition of the book of Abraham”, BYU Studies 20 (Spring 1980):403

Oliver Cowdery deu uma excelente descrição no periódico da Igreja, 'The Messenger and Advocate'' das gravuras nos “Registros de José”:

“A representação da tripla cabeça divina...(foto acima)
 A serpente, representada andando, ou disposta de forma a ser capaz de andar, em pé diante de uma  figura feminina...
O pilar de Enoque, como mencionado por Josephus, está em cima do mesmo rolo (foto abaixo)
O final central do mesmo rolo, (registro de José) apresenta uma representação do julgamento.

Cowdery, mais a frente identificou o Livro de José neste artigo quando ele escreveu:  “Sobre o assunto dos registros egípcios, ou melhor os escritos de Abraão e José, eu devo dizer algumas palavras. Este registro foi caprichosamente escrito em papiro com tinta preta e com uma pequena parte em tinta vermelha, em perfeita preservação.” Oliver Cowdery, “Egyptian Mummies”, Messenger and Advocate 2 (Dez.1835):234-236.

Quando onze pedaços da coleção de papiros egípcios perdidos foram redescobertas e obtidas em 1967, foi fácil identificar a fonte para o Livro de José. O rolo de Abraão não tinha tinta vermelha, não era bem preservado e era facilmente reconhecível pela Facsímile no.1. Em comparação, o segundo rolo era caprichosamente escrito, bem preservado e tinha caracteres em tinta vermelha. Destes onze papiros, os de número 2 e 4 ao 8 pertenciam ao segundo rolo. Os últimos cinco continham tinta vermelha e os de número 4 ao 5 foram claramente descritos por Cowdery no Messenger and Advocate. Egiptologistas determinaram que estes papiros eram originalmente conectados juntos antes de Joseph cortá-los em pedaços individuais. Baer, “The Breathing Permit of Hor”, 111, 111n3; Richard A.Parker, “The Joseph Smith Papyri: a preliminary report”, Dialogue 3 (summer 1968);86-88.

Os papiros 2 e 4 ao 8 pertenciam originalmente à Ta-Shert-Min, filha de Nes-Khensu, cujos rituais funerários consistiam em prepará-la para ser recebida na presença de Osíris, de acordo com traduções modernas. John A.Wilson, “The Joseph Smith Papyri: Translations and Interpretations” Dialogue 3 (summer 1968)

Isto levanta a questão não somente sobre a interpretação de Joseph Smith dos pergaminhos egípcios, mas também sobre a escrita “Egípcio Reformado” que ele diz ter copiado das placas de ouro em 1827-1829. Antes de comprar os papiros, Smith mostrou a Chandler “vários caracteres como àqueles de posse do Sr.Chandler, os quais haviam sido copiados das placas do Livro de Mórmon, contendo a história dos nefitas.” Oliver Cowdery, “Egyptian Mummies” Messenger and Advocate 2(Dezembro de 1835):235

Share/Bookmark

quinta-feira, 13 de maio de 2010

O Livro de Abraão, escrito por sua mão - parte final

"Se a fé não suportar ser investigada, se os pregadores e professores têm medo de tê-la examinada, sua fundação deve ser muito fraca." George A. Smith, 1871, Journal of Discourses, Vol. 14, pg 216.

Ao contrário do Livro de Mórmon que foi entregue ao anjo Morôni, os rolos de pergaminhos juntamente com as múmias ficaram em exposição em Kirtland e em Nauvoo. Os papiros egípcios ficaram durante anos sem nenhuma perícia especializada por parte dos estudiosos. Após a morte de Joseph Smith ao Museu Wood, pensou-se que haviam sido destruídos no Grande Incêndio de Chicago. Este desastre daria um fim a qualquer chance de um estudo aprofundado nos artefatos. Mas como Joseph havia publicado três das facsímiles encontradas nos papiros juntamente com sua tradução em 1842 no 'Times and Seasons', datado de Março daquele ano, Vol.III e posteriormente adicionado ao livro A Pérola de Grande Valor, seria possível comparar a interpretação de Joseph dos hieróglifos com a de estudiosos formados no assunto.

Suas interpretações encontraram seu primeiro desafio em 1860, quando um viajante francês, Jules Remy, que se tornou interessado pelos mórmons chamou a atenção do estudante cóptico Theodule Deveria do Louvre. Remy organizou seu trabalho em duas colunas aonde de um lado descrevia a versão traduzida de Joseph Smith e do outro a versão traduzida por um egiptologista e a publicou em 1861 sob o título “A Journey to Great Salt Lake City”.

Logo após, uns seis egiptologistas mais influentes  foram requisitados para examinar as facsímiles publicadas pela Igreja SUD e concordaram de que se tratava de simples documentos funerários, que se podiam achar aos milhares em tumbas egípcias.

Em 27 de novembro de 1967, onze fragmentos dos papiros comprados originalmente por Joseph Smith, foram encontrados no Museu de Arte Metropolitana de Nova Iorque. Entre eles estavam a facsímile nº 1 e papiro nº 11, ambos importantes para a tradução do 1º.capítulo do Livro de Abraão até o capítulo 2:18 de Joseph Smith em Pérola de Grande Valor. Egiptologistas descobriram que a facsímile no.1, papiro no.10 e 11 e facsímile no.3 pertenciam ao mesmo rolo de pergaminho, escrito por um falecido chamado Hor. A facsímile no.1 original tem a cena do altar que vêm publicada na Pérola de Grande Valor e ladeando a figura, cinco linhas de hieróglifos. Quando traduzidas, estas linhas revelam os títulos de Hor, seu parentesco e aponta que ele é o morto deitado no altar (foto facsímile 1)

O próprio papiro, de número 11, novamente traz o nome de Hor, o nome de sua mãe Taikhibit e instruções de embalsamento da múmia (fig.5)
 Joseph utilizou deste papiro como fonte para Abraão capítulos 1 até 2:18. O próximo papiro, número 10, novamente identifica Hor a medida em que ele avança nos rituais funerários  (fig.6)
até terminar na facsímile no.3. Nesta, o nome de Hor aparece no topo e embaixo da ilustração mostrando-o na cena de seu julgamento com Osíris e outros deuses familiares aos ritos funerários. (fig.7)
 Acordo egiptólogos, estes papiros foram escritos durante o ano de 1a C. Os papiros não falam de Abraão, de fato, o nome “Abraão” não aparece em lugar algum desta narrativa.

Em 1967, a maioria dos SUD se adiantavam em receber a confirmação da tradução de Joseph Smith do Livro de Abraão como legítima. Os documentos egípcios haviam sido entregues a Hugh Nibley da Universidade de Brigham Young e entre janeiro de 1968 à maio de 1970, ele produziu uma extensa série de artigos sobre a cultura egípcia e tópicos de referência na revista da Igreja SUD,  a “Improvement Era”, no entanto,  nenhuma tradução dos papiros aparecia na revista. (A New Look at the Pearl of Great Price, Hugh Nibley, Improvement Era, Jan.1968-Mai. 1970). Nem mesmo qualquer menção clara do nome de Hor ou Abraão nos papiros foi identificada tanto na facsímile no.1, papiro 10 e 11 ou facsímile no.3. Obviamente o primeiro lugar à se procurar por interpretação das facsímiles seriam os hieróglifos situados imediatamente ao redor das gravuras. Nibley ignorou estes e ao invés preferiu focar sua explicação nos antigos rituais templários dos egípcios, mesclando culturalmente e geograficamente lendas Abraâmicas não relacionadas em cima de vários milhões de anos de história para demostrar que o Livro de Abraão tinha o apoio de algumas antigas tradições.

Como mencionado no início deste artigo, além do Livro de Abraão, Joseph tinha outros papiros que ele descreveu como sendo os escritos de José do Egito, estes explicarei em um outro artigo, mas por ora basta-me dizer que durante o tempo de vida de Joseph Smith ele não chegou a ter sua tradução dos papiros egípcios submetida a um completo e rigoroso estudo feito por parte de especialistas versados em cultura e tradução de hieróglifos mas muito provavelmente, mesmo que se tivesse não iria ter feito qualquer diferença, pois seria a simples palavra de uns estudiosos contra a palavra de Deus.

Share/Bookmark

terça-feira, 11 de maio de 2010

O Livro de Abraão, escrito por sua mão - parte 4

Uma outra fonte de inspiração que se levanta para Joseph Smith e o Livro de Abraão é a publicação intitulada “The Works of Flavius Josephus” deste mesmo autor que era um historiador e apologista judaico-romano, 37d.C. a 100 d.C. e Oliver Cowdery chega a citá-lo nesta ocasião por três vezes na publicação “Messenger and Advocate”. No livro de Flavius Josephus ele descreve de como Noé, que teve problemas com seu filho, Sem, “amaldiçoou sua posteridade” enquanto que a linhagem de Abraão e outros “escaparam da maldição”. Joseph então expandiu a maldição original encontrada em Gênesis 9:20-27:

20 E começou Noé a ser lavrador da terra, e plantou uma vinha.
21  E bebeu do vinho, e embebedou-se; e descobriu-se no meio de sua tenda.
22  E viu Cão, o pai de Canaã, a nudez do seu pai, e fê-lo saber a ambos seus irmãos no lado de fora.
23  Então tomaram Sem e Jafé uma capa, e puseram-na sobre ambos os seus ombros, e indo virados para trás, cobriram a nudez do seu pai, e os seus rostos estavam virados, de maneira que não viram a nudez do seu pai.
24  E despertou Noé do seu vinho, e soube o que seu filho menor lhe fizera.
25  E disse: Maldito seja Canaã; servo dos servos seja aos seus irmãos.
26  E disse: Bendito seja o SENHOR Deus de Sem; e seja-lhe Canaã por servo.
27  Alargue Deus a Jafé, e habite nas tendas de Sem; e seja-lhe Canaã por servo.


 De forma a negar o sacerdócio aos negros em Abraão 1:21-26:

21 Ora, esse rei do Egito descendia dos lombos de Cão e, por nascimento, era participante do sangue dos cananeus. 
22 Dessa descendência nasceram todos os egípcios e assim se conservou o sangue dos cananeus na terra. 
23 A terra do Egito sendo, primeiramente, descoberta por uma mulher, que era filha de Cão e filha de Egitus que, em caldeu, significa Egito e quer dizer aquilo que é proibido; 
24 Quando essa mulher descobriu a terra, a terra estava debaixo da água; posteriormente estabeleceu seus filhos nela; e assim nasceu de Cão a raça que conservou a maldição naquela região. 
25 Ora, o primeiro governo do Egito foi estabelecido pelo Faraó, filho mais velho de Egitus, filha de Cão, e foi à semelhança do governo de Cão, que era patriarcal. 
26 O Faraó, sendo um homem justo, estabeleceu seu reino e julgou seu povo sábia e justamente todos os seus dias, procurando sinceramente imitar a ordem estabelecida pelos pais nas primeiras gerações, nos dias do primeiro reinado patriarcal, sim, no reinado de Adão e também de Noé, seu pai, que o abençoou com as bênçãos da terra e com as bênçãos da sabedoria, mas amaldiçoou-o com respeito ao Sacerdócio.

Mais a frente em seu livro, Josephus indicava Abraão como residente da Caldéia e como “uma pessoa de grande sagacidade”que “começou a ter mais noções de virtude do que os outros e que havia decidido renovar e mudar a opinião de todos que tinham sobre Deus”. As pregações de Abraão não foram bem recebidas. Eles “começaram a se rebelar contra ele... e com a ajuda de Deus, ele os deixou e veio habitar na terra de Canaã” Josephus 1:7:38

Enquanto vivia em Canaã, a terra prometida à sua posteridade, Abraão deparou-se com a escassez, isto trouxe ele e sua esposa Sara ao Egito, onde ele foi buscar abrigo junto a esposa de seu irmão. O Faraó eventualmente lhe permitiu em “iniciar discussões com os mais versados entre os egípcios; das quais sua virtude e reputação o tornaram mais notório que já era... Ele lhes ensinava  aritmética ,ciência e astronomia, pois antes de Abrão vir ao Egito eles desconheciam estas áreas do conhecimento...”

Estes escritos de Josephus que Joseph Smith tinha à sua disposição explica o porque, de após examinar o facsímile no.1, ele deve ter assumido que Abraão estaria sendo sacrificado por pregar contra os deuses pagãos, mas escapou com o auxílio Divino. Olhando para o outro papiro, a facsímile no.3, Joseph viu Abraão ensinando astronomia na corte do Faraó exatamente como Josephus indica em sua narrativa. Existem outros paralelos, mas vamos deixá-los para um momento mais adiante.

A fonte primária para os capítulos 2, 4 e 5 do Livro de Abraão é Gênesis 1, 2, 11:28-29 e 12. Sessenta e seis de setenta e sete versículos nesta seção de Abraão (86%) são citações ou parafraseados da versão do Rei Tiago da Bíblia. Os poucos nomes e palavras em hebraico no Livro de Abraão refletem o esmerado estudo da língua hebraica que Joseph Smith havia embarcado sob a direção de seu professor Joshua Seixas.

Share/Bookmark

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Livro de Abraão, escrito por sua mão - parte 3

Joseph Smith começou a trazer um novo conceito de doutrina com o Livro de Abraão, ao contrário da Bíblia em Gênesis que dizia “Deus criou a terra” ele escreveu: “Os Deuses organizaram a terra”. Esta mudança representou algo significativo em sua lenta evolução do sistema metafísico e tem suas origens em seus novos conhecimentos adquiridos. A idéia da pluraridade de Deus ele trouxe das suas aulas de hebraico, onde ele aprendeu que Elohim, uma das palavras em hebraico para Deus, está no plural e logo concluiu que a Bíblia tinha sido mal traduzida. (Millenial Star, Vol.III, Liverpool, England, August, 1842, p.71, citado por Parley Pratt)

O outro conceito de que a terra tinha sido organizada de matéria já existente era melhor do que criada do nada. Até porque através de sua recente sede de conhecimento tinha lido o livro “The Philosophy of a Future State” do reverendo escocês Thomas Dick, 1774-1857, que era uma extensa dissertação em astronomia e metafísica (Sidney Rigdon cita publicamente este autor e seu livro em um artigo intitulado “The Saints and the World” no “Messenger and Advocate”, de dezembro de 1836, pp.422-3)

Thomas Dick defendia a tese de que a matéria era indestrutível e esta idéia foi suficiente para convencer Joseph e concluir que Deus havia feito os céus e a terra de materiais já existentes. Este tipo de doutrina deixaria sua igreja com um toque de originalidade, já que nenhum outro ministro pregava o mesmo.
As soluções para os problemas filosóficos em relação à astronomia com seus milhares de estrelas e distâncias incomensuráveis estariam resolvidas com à luz do Livro de Abraão, uma vez que seu autor daria ao texto uma imagem imaculada que dispensaria quaisquer dúvidas.
Abraão relata em seu livro que existe uma estrela Kolob que é onde o trono de Deus repousa e que uma revolução de Kolob é igual a mil anos na terra e que através desta revolução são contados os anos. Kolob e várias outras estrelas menores estão povoadas com espíritos que são eternos como a própria matéria.
Estes espíritos não são feitos do mesmo molde, mas diferem entre si  em qualidade de inteligência como as estrelas diferem umas das outras em magnetude.
Estes conceitos os quais se desenvolveram de maneiras variadas através de posteriores ensinamentos de Joseph Smith, vieram para nossa surpresa diretamente da tese de Thomas Dick, que havia especulado que as estrelas eram povoadas por “várias ordens de inteligências”, e que estas inteligências eram “seres em constante progresso” em variados estágios de evolução rumo a perfeição. Dick dizia ainda que em todas as probabilidades “os sistemas do universo giram em torno de um centro comum... o trono de Deus” (The Philosophy ot the Future State, Thomas Dick, Brooksfield, Massachusetts, 2nd.ed., 1830, pp.101, 230, 241 e 249)

O Livro de Abraão não só veio para esclarecer estas lacunas em relação ao sistema metafísico, mas também trazer explicação quanto a delicada questão das raças. O Livro do Mórmon já explicava sobre a pele vermelha dos índios nativo-americanos, agora os papiros egípcios desvendariam a questão dos negros.

Quando jovem, Joseph Smith já havia sido ensinado através do livro de geografia, como era comum, de que todas as raças do homem eram descendentes dos três filhos de Noé: Sem, Cão e Jafé. Noé havia amaldiçoado seu filho Sem, decretando que o filho de Sem, Canaã, deveria ser o “servo dos servos” entre seus irmãos.(Sacred Geography, Thomas T.Smiley, Philadelphia, 1824. – A cópia que pertencia a Joseph Smith pode ser vista na biblioteca da igreja reorganizada em Independence, Missouri) Esta estória era a que todos os pregadores do sul usavam para justificar a escravidão, estava agora sendo calcificada no livro de Abraão.

Nota do autor: Os livros citados como referência acima podem ser baixados em PDF gratuitamente na internet, para tanto, basta clicar nos links dos mesmos.

Share/Bookmark

segunda-feira, 3 de maio de 2010

O Livro de Abraão, escrito por sua mão - parte 2

Vários papiros e onze múmias haviam sido encontrados em Tebas, Egito pelo italiano Antonio Lebolo entre 1818 e 1822 que os vendeu e as antiguidades foram enviadas a Nova Iorque que foram compradas por Michael Chandler em 1833. Nos dois anos seguintes Chandler começou a rodar as cidades do leste americano expondo e vendendo seus artefatos. Nestas andanças à negócios ouviu da reputação do jovem profeta em traduzir línguas antigas e em julho de 1835 Chandler chega a Kirtland para ver se conseguia ter seus papiros decifrados. Peritos em línguas antigas já haviam declarado os papiros como autênticos, mas com o limitado conhecimento que se tinha na época, apenas podia-se supor o seu significado.
É importante ressaltar que neste período de tempo a famosa Pedra de Roseta que possuía a chave para a tradução dos hieróglifos egípcios havia sido descoberta em 1799 por soldados franceses e consistiam num bloco de granito negro com inscrições cunhadas divididas em três seções onde foram reconhecidas como:

  • Hieróglifos egípcios
  • Demótico egípcio
  • Grego clássico

Como esta última era bem conhecida, a pedra se tornou a chave para a tradução dos caracteres egípcios, que não estava bem desenvolvida até a publicação dos estudos da pedra de roseta feitos por Champollion em 1837 na Inglaterra no John G.Wilkinsons Manners and Customs of the Ancient Egyptians, 1837.

Com todos os homens da cidade, agora interessados no estudo de línguas antigas, era certo de que Michael Chandler não somente teria seus papiros traduzidos mas como sua carga de antiguidades vendida aos SUD.

Não é difícil de imaginar a ansiedade de que todos na ocasião foram tomados ao terem na cidade aquele visitante com uma bagagem de antiguidades tão incomum. Múmias e papiros com inscrições antiquíssimas, o que estaria escrito naqueles pergaminhos? Que tipo de verdade e instrução poderiam estar encerrados naqueles papiros que se desenrolavam na frente de todos? Se alguém poderia desvendá-los, este deveria ser Joseph Smith que era já conhecido como o profeta, vidente e revelador e já havia mostrado seus talentos ao traduzir o egípcio reformado das placas de ouro do Livro de Mórmon. Uma inesperada e grande responsabilidade caíra sobre os ombros do jovem profeta e ele iria fazer o seu melhor para não decepcionar seu povo que agora estava ao seu redor com estes relatos egípcios aguardando sedento por mais conhecimento.

Existem dois relatos sobre a compra de duas múmias e dois pergaminhos e mais alguns fragmentos com inscrições de papiros feita pela Igreja na ocasião, um é contado por Josiah Quincy em seu livro “Figures of the past”, Boston, 1883, p.386 aonde relata que sua mãe havia comprado os artefatos “com o seu próprio dinheiro ao custo de seis mil dólares” enquanto que no diário de Joseph Smith lemos que foram comprados “por alguns dos santos” em Kirtland. (History of the Church, Vol.II, p.236)

No momento que os papiros chegaram às mãos do profeta, vários membros reconheceram de que este momento teria sido causado por interveniência Divina e em seu primeiro contato com aqueles caracteres egípcios Joseph pronunciou a todos dizendo de que se tratavam de dois relatos distintos, um teria sido escrito pelo próprio punho de Abraão e o outro os escritos de José do Egito.

Joseph Smith, ao contrário da outra vez, há sete anos atrás quando utilizou apenas de inspiração + pedra vidente  para a tradução do Livro de Mórmon, começou a formular uma coleção de livros conhecidos como “Kirtland Egyptian Papers” (KEP) que é formado por mais de 10 volumes que foram escritos pelas mãos de Oliver Cowdery, W. W. Phelps, Warren Parish, Willard Richards e Frederick G. Williams. Estes papéis continham o “Alfabeto e Gramática Egípcia” escrito pela mão de Joseph Smith aonde era dadas as chaves para a tradução de hieróglifos egípcios que sua confiabilidade é um outro assunto controverso tanto entre os historiadores SUD quanto aos historiadores seculares e que exploraremos este assunto com mais detalhes mais adiante.

Sua confiança neste método de tradução através de transcrição dos caracteres e posterior tradução de todo o documento teria uma vida curta, a exemplo de outros egiptologistas amadores de sua época, ele desistiu desta técnica e retornou ao método anterior de tradução ao ditar através de inspiração direta dos céus.

“Eu fiquei ao seu lado” escreveu seu secretário Warren Parish e “escrevi os hieróglifos egípcios que ele dizia receber através de inspiração vinda direto dos céus.” Carta de Parish em “Painesville Republican, datada de 05 de fevereiro de 1838 publicada no dia 15 de fevereiro, reimpresso em “Zion Watchman”, 24 de março de 1838.

Joseph nunca chegou a traduzir a segunda parte dos papiros que ele disse contar com a história de José do Egito. Ficou apenas na tradução do Livro de Abraão. A narrativa que resultou desta só veio a ser publicada em 1842, sete anos após terem sido comprados de Michael Chandler e se tratava de um breve relato da criação da terra e o início da história israelita, e esta história em sua maioria era um paralelo que se encontrava nos dois primeiros capítulos do livro de Gênesis. Joseph já havia trabalhado duas vezes com este livro anteriormente, uma quando escreveu o Livro perdido de Moisés e outra quando traduzia a versão inspirada do Velho Testamento. Desta vez, ele tinha que trazer a luz algo diferente, algo original e nada melhor do que ter como fonte escritos antigos oriundos do antigo Egito

Share/Bookmark

terça-feira, 27 de abril de 2010

O Livro de Abraão, escrito por sua própria mão - parte 1

"É impossível ao homem ser salvo em ignorância." D&C 131:6

Nossa ambientação começa em 1833, em Kirtland, Ohio quando Joseph decide organizar a "Escola de Profetas" aonde ensinaria aos demais membros da presidência e apóstolos inicialmente nada além de que suas revelações. Acordo Parley Pratt que registrou em sua autobiografia eles "oravam, profetizavam e se exercitavam nos "dons do espírito". Este momento da história SUD foi determinante para que se desse ênfase no estudo secular, tanto que seu povo no Missouri construíam escolas antes mesmo de cabanas e celeiros. Com esta idéia, Joseph pareceu querer tornar o estudo algo primordial na vida dos SUD, ainda mais que veio a enriquecer a escola dos profetas com aulas de grego e hebraico contratando um rabino judeu como professor, Joshua Seixas da Academia de Andover. Desta forma os alunos da escola de profetas estudariam gramática hebraica durante os dias da semana e poderiam falar fluentemente "em línguas" aos domingos na Igreja. Enquanto isto na escola secular de Kirtland haviam aberto vagas para incluir classes de adultos para ensinar matemática, geografia e inglês.

Joseph Smith estava numa fase de grande sede de conhecimentos e estudava com grande afinco hebraico e gramática inglesa. Seu professor relatou posteriormente: "Joseph era como um bezerro que sugaria o leite de três vacas. Ele adquiria conhecimento muito rápido. Enquanto Heber C.Kimball nunca chegou a distinguir a diferença entre substantivo e verbo." W.Wyl, Mormon Portraits, Salt Lake City, 1886, p.25. veja Louis C.Zucker "Joseph Smith as student of hebrew", Dialogue II, 41ff.1968.

Joseph estava claramente entusiasmado com os novos estudos e era notado por toda a congregação e registrou em seu diário: " É como se o Senhor abrisse nossas mentes de uma forma maravilhosa." e "para entender Sua palavra no formato original, rogo para que Deus rapidamente nos invista com o conhecimento de todas as línguas e idiomas." "Minha alma se deleita em ler a palavra de Deus no formato original..." "Estou determinado em buscar o estudo das linguagens até que eu começe a dominá-las."

Toda esta preparação estava prestes encontrar um teste à sua altura.

Share/Bookmark